Inteligência artificial muda o cenário das Eleições 2026

A propaganda eleitoral das Eleições 2026 começou oficialmente no dia 16 de agosto e, neste ano, uma das principais preocupações da Justiça Eleitoral está relacionada ao uso da inteligência artificial.

Ferramentas capazes de gerar textos, imagens, áudios e vídeos evoluíram rapidamente nos últimos anos e passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas. Durante uma campanha eleitoral, essas tecnologias podem ser utilizadas tanto para produção legítima de conteúdo quanto para criar materiais falsos ou manipulados capazes de confundir o eleitor.

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O Tribunal Superior Eleitoral permite o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral, mas estabeleceu regras específicas para garantir maior transparência. Quando uma campanha utiliza conteúdo sintético produzido ou significativamente alterado por IA, é necessário informar de maneira explícita e destacada que o material foi fabricado ou manipulado e indicar a tecnologia utilizada.

Deepfakes são proibidos nas eleições

Um dos principais pontos da regulamentação envolve os chamados deepfakes.

A tecnologia permite reproduzir digitalmente o rosto, a voz ou os movimentos de uma pessoa de maneira extremamente realista. Na prática, seria possível produzir um vídeo aparentemente verdadeiro de um candidato fazendo uma declaração que nunca aconteceu.

A Justiça Eleitoral proíbe a utilização desse tipo de conteúdo para favorecer ou prejudicar candidaturas.

O problema dos deepfakes, entretanto, vai além da possibilidade de fazer uma pessoa acreditar em uma informação falsa.

Com a popularização da inteligência artificial, conteúdos verdadeiros também podem começar a ser questionados. Um candidato confrontado com uma gravação legítima, por exemplo, poderia tentar alegar que o material foi produzido artificialmente.

Por isso, durante as Eleições 2026, verificar a origem de vídeos, áudios e imagens será ainda mais importante.

Inteligência artificial pode indicar em quem votar?

Outra novidade importante envolve diretamente plataformas de inteligência artificial.

As regras estabelecidas para as eleições de 2026 proíbem sistemas de IA de ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatos, partidos, federações ou coligações, mesmo quando isso for solicitado pelo próprio usuário.

Essas plataformas também não podem indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou favorecer ou desfavorecer uma candidatura por meio de respostas automatizadas.

Isso não significa que o eleitor não possa utilizar inteligência artificial para pesquisar informações.

Ferramentas desse tipo podem ajudar a compreender propostas, explicar conceitos políticos ou econômicos, resumir documentos e organizar informações.

A diferença está entre informar o eleitor e tentar decidir por ele.

As horas anteriores à votação terão regras ainda mais rígidas

Existe ainda uma preocupação especial com o período imediatamente anterior à votação.

As regras das Eleições 2026 proíbem a publicação, republicação e o impulsionamento de novos conteúdos sintéticos criados ou modificados por inteligência artificial que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas durante as 72 horas anteriores ao término da votação e até 24 horas depois do pleito.

A medida procura evitar uma situação especialmente delicada: um conteúdo falso divulgado poucas horas antes da votação pode alcançar milhões de pessoas sem que exista tempo suficiente para que a informação seja verificada e desmentida.

Na internet, produzir uma mentira pode levar poucos minutos. Corrigir a informação, muitas vezes, demora muito mais.

O eleitor precisará desenvolver um novo hábito

Durante muito tempo, fotografias, gravações de áudio e vídeos eram vistos como fortes indícios de que determinado fato realmente havia acontecido.

Com a evolução da inteligência artificial, isso mudou.

Nas Eleições 2026, o eleitor terá de observar não apenas o conteúdo de uma publicação, mas também sua origem.

Antes de compartilhar uma informação, algumas perguntas serão fundamentais:

Quem publicou esse conteúdo?

Existe uma fonte original?

Outros veículos ou fontes confiáveis confirmam a informação?

O vídeo está completo ou foi retirado de contexto?

Existe indicação de que o material foi criado ou modificado por inteligência artificial?

Quanto mais surpreendente, revoltante ou emocional for uma publicação, maior deve ser o cuidado antes de compartilhá-la.

Tecnologia pode ajudar, mas também pode manipular

A inteligência artificial não é necessariamente uma ameaça ao processo eleitoral.

Ela pode ser utilizada para tornar conteúdos mais acessíveis, auxiliar pessoas com deficiência, facilitar traduções, produzir materiais informativos e permitir que eleitores compreendam assuntos complexos.

O risco aparece quando a tecnologia é utilizada para apagar a fronteira entre aquilo que realmente aconteceu e aquilo que foi artificialmente produzido.

As Eleições 2026 poderão ser um dos primeiros grandes testes dessa nova realidade no Brasil.

Mais do que aprender a utilizar ferramentas de inteligência artificial, o desafio do eleitor será desenvolver a capacidade de identificar quando uma imagem, um áudio ou um vídeo pode estar tentando manipulá-lo.

No CBN Digital, Iguiberto Filiage Junior analisou como a inteligência artificial, os deepfakes e as novas regras eleitorais podem influenciar a campanha de 2026.